Intervenção

Intervenção - Ideia Abstrata

julho 06, 2017

        Explorando a cidade de Diamantina em busca de um local adequado para a realização de nossa intervenção, logo de inicio percebemos que o que buscávamos era um local externo e, preferencialmente, um pouco escondido. Dessa maneira, o espaço apelidado de Triângulo atendia todas as nossas demandas, bem como demonstrava grande potencial devido ao fluxo de pedestres e carro que passava por lá. O ponto nevrálgico entre a Igreja e o Mercado tinha uma conformação particular, apresentando um espaço sem uso entre os cruzamentos das ruas, um lugar com grande potencial de exploração pela população mas que era inutilizado.
        Dessa maneira, por meio do estudo da área e da apropriação do espaço com o corpo realizada pelo grupo, além da entrevista realizada com os transeuntes, foi possível perceber o constante conflito entre carros e pessoas, o qual, apesar de tudo, se dava de maneira orgânica e fluída . Nesse sentido, o grupo percebeu a necessidade de demonstrar essa interação a partir da intervenção e colocou essa dicotomia como ponto inicial de reflexão.
        A partir disso, passamos a refletir sobre os elementos principais do espaço e que queríamos que estivessem representados no projeto. O fluxo, o formato triangular e a sensação de refúgio que se dava de maneira dicotômica, por ser um ambiente externo e, em boa parte do tempo, bem movimentado, foram aspectos que nos interessamos muito e se tornaram os elementos chaves de nossos planejamentos.

Objeto

Objeto Interativo - resultado

julho 06, 2017

        O objeto final manteve o uso dos elásticos que se mostraram presentes em todo o processo, dando continuidade a ideia de transformação e maleabilidade, no qual os movimentos dos usuários são responsáveis pela modificação da estrutura, causando um efeito tanto em quem interage com o objeto quanto em quem observa, devido à experiência visual que as cores proporcionam. A estrutura em formato cilíndrico permite que a interação se de também internamente, sendo intensificada pela esferas luminosas, acionadas pelo movimento dos elásticos externos, que também acionam as esferas com vibra call. 
                                           

Intervenção

Intervenção - Roteiro de Entrevistas

junho 28, 2017

0. Apresentação do grupo (estudantes, contexto, proposta...)
1. Solicitar informações pessoais (nome, origem, residência...)
2. Qual sua relação com este espaço?
3. Há algo que chame sua atenção neste espaço?
4. Como realiza seu deslocamento diário? Utiliza carro nesta região? Se não, enquanto pedestre, o que sente em relação aos carros neste espaço?
5. Você conhece as pessoas que moram/trabalham neste espaço específico?
6. Como é o fluxo de pessoas aqui durante o ano? Isso muda sua rotina? Se sim, como?
7. Você sente que este espaço faz parte da praça [do mercado]?
8. Há algum elemento neste espaço que lhe incomoda?

Eventos

Evento Cultural - "Atenas e sua Acrópole"

junho 28, 2017

No dia 15 de julho, fui com outros colegas de turma à Prefeitura Municipal de Belo Horizonte para conhecer a exposição "Atenas e sua Acrópole", que encontra-se no hall de entrada do local. Seguindo a temática proposta, a exposição apresenta réplicas de gesso em escala distribuídas ao longo do pavimento. O baixo número de obras e a falta de visitantes no local representou uma quebra de nossas expectativas, já que imaginávamos algo muito mais convidativo. De certa maneira, o local escolhido para as obras pode ter certa culpa na falta de sucesso do evento, já que os visitantes devem passar pela portaria, onde são deixados os documentos, além de detectores de metais para, então, conseguir observar as obras.
        Independentemente do local que o visitante se posiciona, ele é capaz de observar as obras como um todo, observando a composição escolhida para apresentá-las ao público. Nesse sentido, tem-se uma linha de frente compostas por estátuas de corpo inteiro e seguida por duas fileiras de esculturas menores uma de frente para outra, formando um corredor. Tais obras menores são compostas por rostos de figuras pertencentes à Grécia Antiga, bem como a figura de uma cobra muito bem esculpida. Também podem ser observadas baixos relevos circulares esculpidas com cenas, tais como a de Nike amarrando sua sandália.

        A pequena dimensão do espaço comporta bem a pouca quantidade de obras que o compõe, permitindo que sejam dispostas seguindo o design do piso, gerando considerável refinamento estético à produção. De modo geral, a exposição mostrou-se bem interessante por permitir que o observados se aproximasse bastante das obras e, assim, despertando seu interesse para os detalhes.


Eventos

Evento Cultural - Museu das Minas e dos Metais

junho 22, 2017

        Após me mudar definitivamente para Belo Horizonte, tive como uma das primeiras experiências culturais na cidade as visitas que realizei aos museus da Praça da Liberdade, sendo um deles o Museu das Minas e dos Metais.
        Essa visita foi bem marcante para mim já que, mesmo não se tratando de um assunto que demonstro interesse aprofundado, a ocasião foi acompanhada de um fator inesperado. Após conhecer o primeiro piso do prédio, me direcionei ao segundo andar, onde fui abordada por uma estudante de Museologia da UFMG. Sua presença no local se tratava de uma pesquisa acadêmica, na qual ela precisava acompanhar meu aproveitamento diante do modo que o museu foi organizado, anotando o caminho que escolhi para percorre-lo e o tempo que demorei no pavimento. Sabendo que estava sendo observada, passei a analisar também o modo que eu meu movimentava no museu, algo que eu nunca havia refletido sobre, e pude perceber as diferenças entre as diversas pessoas ali presentes e os diferentes modos que elas realizavam a mesma visita.
        Quanto ao museu em si, mantive meu foco não tanto no que era exposto, como os diferentes tipos de metais e minérios, mas no modo o qual eles foram apresentados. A alternância entre vitrines abertas e fechadas por portas, o som que saia de alguns dos espaços e até as "lunetas" contendo um tipo de metal despertavam o interesse das pessoas, pois ela deixava de ser apenas um expectador e passava a ter alguma função durante o passeio.
        Dessa forma, com certeza se tratou de uma visita surpreendente para mim, além de única, já que quando retornar ao local, analisarei de maneira bem diferente da ocasião em questão.






Análises

Estratégias de Apropriação do Espaço

junho 22, 2017

Parkour

        Tratando-se de uma modalidade que visa superar obstáculos urbanos a partir da exploração de novas maneiras de deslocamento no espaço, o Parkour leva seus praticantes a movimentar-se de forma rápida, fluida e eficaz e, assim, explorar os limites do corpo e também do ambiente. A modalidade em questão não possui o intuito de alterar o espaço físico propriamente dito, mas sim encontrar alternativas de uso e deslocamento que quebrem a rotina habitual dos habitantes dos centros urbanos.

 

Deriva
        A prática da deriva diferencia-se de outros métodos de apropriação do espaço pelo caráter psíquico que engloba em relação ao estudo, observação e exploração do espaço urbano. A deriva não mostra-se apenas como um caminhar despretensioso pela cidade, o praticante passa a ser guiado pelo próprio ambiente e pelas sensações que ele transmite. Aquele que pratica a deriva adquire forte conexão com o espaço urbano a sua volta, passando a compreender melhor as características do mundo ao redor e, assim, podendo ser utilizada como um modo de transformação espacial a partir das percepções obtidas.


Flaneur
        O Flaneur consiste na prática despretensiosa do caminhar, sem necessariamente um objetivo de chegada pré-determinado ou um caminho certo a ser percorrido, por isso,  prática é muitas vezes interpretada como o "vadiar" pela cidade. O Flaneus, na verdade, segue o caráter convidativo do espaço urbano, levando os praticantes a atentar-se aos detalhes que muitas vezes passam desapercebidos no cotidiano tais como as pessoas e as construções, bem como a relação entre os elementos urbanos.

Rolezinhos
        Os chamados rolezinhos são métodos de apropriação do espaço que consistem em encontros de jovens em locais como shoppings e praças. Tais encontros atingiam grandes públicos por meio de eventos em redes sociais e, em sua maioria, era composto por classes mais pobres. Dessa forma, mesmo que não se tratando da intenção inicial da prática, os rolezinhos culminaram em confrontos sociais e, assim, debates acerca do assunto causados pela reação negativa das pessoas que costumavam frequentar os locais escolhidos para os encontros diante de tal forma de apropriação.

Flashmob
        Tal modo de apropriação do espaço consiste em uma mobilização instantânea, como o próprio nome sugere, de pessoas, as quais tem o objetivo de trazer um choque ao cotidiano. É geralmente realizado em espaços públicos de grande fluxo como praças, shoppings e estações de trem, por exemplo, e geralmente são ligados à ações performáticas como dança ou música. Contudo, a popularização da prática acabou por banalizar tal modo de apropriação,transformando-o em algo meramente espetaculoso. 

        

        

Eventos

Evento Cultural - "Entre Nós (A figura humana no acervo do MASP)"

junho 13, 2017

        Recentemente visitei a exposição "Entre nós (A figura humana no acervo do MASP)" no CCBB, que abrange obras de imensa importância, tais como criações de Picasso e Van Gogh. A exposição foi organizada de modo a deixar o público imerso nas diversas formas de representação da figura humana por meio de pinturas e esculturas e foi dividida em 5 núcleos distintos e complementares organizados de maneira cronológica.
        O primeiro núcleo consiste em figuras que fazem parte de um âmbito religioso, com finalidade de culto ou magia, diferentemente do segundo núcleo, que apresenta a figura humana em um contexto genealógico, social e político. Analisando a terceira parte da exposição, temos a representação  da figura humana como tema de experimentação, enquanto a quarta exibe criações definidas por seu papel de ordem social, no qual algumas delas são representadas por materiais. Finalmente, o quinto núcleo da exposição explora obras dos séculos XX e início do século XXI, finalizando a visita com maravilhosas obras não só das artes plásticas mas também da fotografia.
        A representação humana é explorada com mudanças muito visíveis que podem ser percebidas pelo público no decorrer da visita através de marcantes modos de representação e detalhes sutis marcados pelas características de cada artista e tempo histórico. A exposição parecia atrair com vigor a atenção da grande número de visitantes, que analisavam cada obra a sua maneira, apenas observando, analisando um contexto e até comentando conhecimentos a priori a respeito das obras em questão. 


Seminário de design de interação

maio 13, 2017

        Para o seminário apresentado em sala, meu grupo buscou como exemplos o trabalho "Infinito ao cubo", de Leonardo Crescenti e Rejane Cantoni, bem como o de Scott Snibbe, "Boundary Functions", no entanto, devido ao primeiro trabalho ter sido abordado também por um outro grupo. discutimos um pouco sobre o "Voice Tunnel", de Lozano Hemmer.
        "Infinito ao cubo" tem como estrutura um cubo espelhado sobre um suporte que adquire mobilidade por meio das molas localizadas na parte inferior, permitindo a modificação da forma a partir do movimento dos usuários. Sua interatividade é atribuída, principalmente, à influência simultânea de todos aqueles que se encontram sobre a plataforma, todos exercendo influência e afetando o espaço dos outros. Os espelhos internos permitem uma quebra da espacialidade real do local, dando uma nova percepção às pessoas. No entanto, a partir da análise realizada em sala, foi possível perceber a simplicidade do conceito abordado, remetendo até ao que ocorre em elevadores espelhados, onde a ideia de infinito torna-se um pouco limitada.

        Já o "Boundary Functions", funciona a partir de um sistema de câmera, espelho e refletor que modifica as linhas no chão a partir do número e posição das pessoas. Dessa maneira, o trabalho só começa a funcionar ao existir uma interação entre no mínimo duas pessoas e se torna cada vez mais atrativo quanto maior for a interação e cooperação entre os envolvidos. Apesar de limitado quanto ao tamanho designado para a plataforma, a interação capaz de gerar é muito ampla e diversa e, na minha opinião, gera um resultado satisfatório e bem dinâmico.
        Por último, o"Voice Tunnel", permite que as pessoas falem em microfones que iram espalhar suas mensagens pelo túnel que contém luzes em toda sua extensão. As vozes das pessoas preenchem o espaço, sendo ouvidas por todos que se encontram no local, no entanto, a partir do vídeo assistido em sala, pode-se perceber certa banalização da interatividade já que as pessoas seguiram por um caminho tal como o quadro branco, onde tanta abertura acaba restringindo o modo que as pessoas o utilizam.

Análises

Reflexão sobre a pergunta criada em grupo

maio 05, 2017

          A pergunta desenvolvida pelo meu grupo, "até que ponto o digital é facilitador na construção de uma virtualidade?" foi elaborada a partir de uma reflexão a respeito dos exageros gerados pela busca constante da vida tecnológica. Tal questionamento foi desenvolvido a partir de discussões e reflexões iniciadas por um série chamada "Black Mirror", na qual um dos episódios apresenta a existência de uma cópia reduzida de cada indivíduo capaz de aprender seus hábitos e, teoricamente, facilitar a rotina da pessoa em questão. No entanto, seria isso realmente necessário? A rotina do usuário ocorre independentemente de tal tecnologia e, seu uso, não culmina em uma grande mudança ou melhoria na qualidade de vida, ela apenas sistematiza as ações comumente realizadas pelo seu verdadeiro corpo e acaba por limitar suas ações já que a rotina sistemática e continuamente programada impede que as pessoas fujam do esperado. 
        Dessa forma, diante da discussão realizada em sala, pode-se observar que o uso tecnológico e o refinamento digital não são diretamente responsáveis pela virtualidade, podendo até se tornar um limitador para tal aspecto. o digital pode ampliar a virtualidade para horizontes antes inimagináveis mas deve ser usada para remover obstáculos não para se tornar um. A virtualidade pode se dar em uma simples interface ou em uma complexa, mas ela deve ser desenvolvida pensando nas aberturas a que ele proporciona aos usuários.

Objeto

Protótipo III

maio 01, 2017

         O protótipo em questão consiste em uma trama de elásticos bem como foi inicialmente pensado no protótipo anterior, porém, desta vez, apresentado de maneira a possibilitar o uso por diversas pessoas. 
      O objeto tem como ideia inicial a possibilidade de amaranhar os elásticos pelo corpo dos usuários, formando tramas diversas e únicas a cada manuseio. Para refinar a ideia, foram incorporados pequenos guizos a fim de gerar sons durante a movimentação, bem como pequenas bolas (de material ainda não determinado) com luzes de led em seu interior, acionadas pelo contato com os imãs que estariam espalhados pelo objeto ou mesmo em outras bolas, possibilitando que o contato gerado pelo emaranhado de fios acione as luzes.

Objeto

Objeto Interativo - Protótipo II

abril 28, 2017


      O novo protótipo, em formato circular, buscou diminuir a representatividade excessiva apresentada no primeiro (em forma de cubo), bem como ampliar a interação pela dificuldade de manusear o objeto sem ajuda, devido à falta de estabilidade que apresenta ao ser apoiado em uma superfície. No entanto, quando finalizado, achei a ideia um pouco limitada quanto às possibilidades, o que levaria a uma falta de interesse dos usuários.
     
         Para tentar suprir a limitação do protótipo circular produzido, criei como alternativa um segundo protótipo visando uma maior abertura das interações. Dessa forma, a ideia atual visa a interação entre mais pessoas já que o objeto, que seria em uma escala bem maior, teria como base as próprias pessoas que modificariam a aparência e produziriam sons conforme se movimentassem na malha de elásticos.

Objeto

Objeto Interativo - Protótipo I

abril 23, 2017

        O objeto proposto foi baseado na ligação realizada por meio da rede de objetos levada pelos alunos, na qual liguei o fone de ouvido ao disco de vinil e ao cubo mágico. Dessa maneira, tendo como base o conceito de modificação característico do cubo, produzi um protótipo que estaria sempre se modificando ao ser manipulado, já que a mudança da posição de um elástico mudaria a aparência. Já considerando o efeito sonoro dos outros objetos, pensei em 4 botões que emitiriam diferentes sons, podendo ser acionados simultaneamente ou separadamente. no entanto, o objeto se mostrou muito representativo, principalmente quanto seu formato.

Croquis

Croqui - Inhotim

abril 23, 2017


Croqui externo da Galeria Adriana Varejão
Croqui interno galeria Adriana Varejão

Análises

Visita ao Inhotim - Galeria Adriana Varejão

abril 23, 2017

        A Galeria escolhida por meu grupo, que era composto, além de mim, por Roberta, José, Lucas Gonçalves, Lucas Oliveira, Laura Cordeiro, Matheus Henrique e Letícia Ernandes, foi a da artista Adriana Varejão.

         Ao aproximar-se do local, a galeria surge, esplendorosamente, entre as árvores que nos rodeavam, mostrando-se uma construção imponente e muito bonita. O prédio foi elaborado como uma grande caixa posicionada em meio a vegetação, no entanto, mesmo com o peso que poderia ser atribuído à uma caixa de concreto, a construção apresenta leveza em seu conjunto graças o uso de uma piscina de borda infinita, bem como uso de paredes de vidro na entrada. Sob a água de tom azul bem marcado foi colocada uma passarela e uma plataforma onde se encontra uma estrutura recoberta de azulejos com delicados desenhos, que atrai o visitante para o caminho que leva à galeria.
        Ao entrar no prédio nos deparamos com a primeira obra da artista, uma parede azulejada estruturada por carnes, dialogando diretamente com as pinturas do teto logo acima posicionado.  

        A próxima obra, também produzida em azulejos, chama atenção pela aproximação com a realidade, dando uma forte ideia de continuidade à sala, apesar dos seus traços predominantemente ilustrativos.

        A terceira obra da astista ocupa todo o segundo andar da galeria, explorando novamente o azulejo, desta vez com rachaduras e decorados em tons de azul, trazendo um aspecto de movimento para a sala.
        A cobertura é acessível por meio de uma rampa, compondo o aspecto cíclico utilizado para a movimentação na galeria, o qual delimita um caminho e impede que os usuários explorem o local da maneira que mais lhe agradaria. Tal rampa nos leva à um terraço cercado por bancos de azulejos com desenhos de pássaros diversos, muito agradável para se acomodas já que a temperatura de tais bancos mostra-se mais fria que o clima local. no entanto, a impossibilidade de chegar até a borda do prédio para observar a paisagem limita o uso do espaço e tira um pouco o encanto do local.

Análises

Nova reflexão sobre a diferença entre arquitetura e roupa.

abril 23, 2017

        Quando solicitado pela primeira vez a reflexão sobre as diferenças entre arquitetura e roupa, bem como sobre a capacidade de uma suprimir a outra, enfrentei grande dificuldade na tentativa de chegar a uma conclusão sólida e até inquestionável sobre o assunto. No entanto, após debater tal questão com o restante dos alunos e os professores, percebi que buscar uma resposta correta é impossível. As similaridades e diferenças entre elas se dão de maneira sutil, o que faz aquele que está debatendo o assunto se perder em um mundo de reflexão ao se deparar com tantos contra argumentos. Temporalidade, expressão artística, confronto de estilos, transformação, quando pensamos ter encontrado a solução desse dilema somos atingidos por mais ligações e ficamos ainda mais imersos em um questionamento aparentemente sem fim.
        Questões abordadas por mim no meu primeiro parágrafo reflexivo ainda circundam minha cabeça, nem totalmente descartadas nem totalmente aceitas. Não existe resposta conclusiva, no entanto, a sociedade atual encara arquitetura e roupa como esferas diferentes, mostrando-se dependentes de ambas. Tal fato pode se dar pela escala a qual são apresentadas,pela individualidade que carregam, ou por qualquer outro aspecto, o importante é que não estamos prontos para abrir mão de uma em função da outra, nem acredito que um dia isso será realmente possível.

Análises

Reflexão: Realidade Virtual - mediada e imediata

abril 13, 2017

        Vive-se em uma sociedade imersa em tecnologia. Somos uma ilha cercada de ondas, sensores e fios por todos os lados. Ou talvez até a própria ilha seja feita de cabos e botões, dependentes de estímulos tecnológicos para sobreviver. Dessa maneira, não estaria a sociedade caminhando em direção a um mundo virtual em sua totalidade? Seria a realidade virtual a nova forma de vida do ser humano?

        O refinamento dos adventos tecnológicos vem possibilitando a existência de novos meios de interação do homem com a máquina, aproximando-se constantemente de uma representação da realidade. A tecnologia atual, como a utilizada por meios como o Google Street View, nos permite visualizar locais no mundo todo sem a necessidade de sair de nossas casas, no entanto, o modo o qual tal programa funciona cria uma realidade estática, sem aspectos de sensibilidade, como observado ao comparar a pesquisa realizada pelo Street View sobre o parque municipal e a visita presencial do local. Por isso, tentamos constantemente aperfeiçoar tais possibilidades de interação e, assim, buscamos a criação de algo tão perfeito que se torne igual a nossa realidade. Mas qual o propósito de criar algo que já existe? Posso estar sendo um pouco conservadora e acredito que, diante de novas perspectivas, eu seja capaz até de mudar de ideia, no entanto, uma realidade virtual idêntica ao que possuímos no mundo não me parece algo de uso necessário, podendo até ser visto como um luxo acerca da ambição do homem em mostrar domínio sobre as coisas a sua volta, controle sobre o mundo e suas tecnologias. Qual o motivo de buscar sons, cheiros e sensações falsas em uma realidade virtual se você já pode ter tudo isso na realidade? Não somos máquinas e precisamos saber distinguir entre essas duas esferas de existência.
        Por mais que a tecnologia alcance um patamar de semelhança da realidade que as torne indiferenciável, a vivência imediata de um espaço é única, as sensações e emoções sentidas dão sentido à situação. O melhor de uma viagem é a expectativa de chegada, a imaginação de como será e e, finalmente, a concretização dessa expectativa. Dessa maneira, as viagens virtuais reduzem tudo isso ao estar presente no local, ela facilita as situações de tal forma que a experiência, por mais que se aproxime do real, não mostra-se completa.

Eventos

Evento Cultural: Os cadernos de Kindzu

abril 11, 2017

        O teatro "Os cadernos de Kindzu", inspirado na obra "Terra Sonâmbula", de Mia Couto, não só apresentou a história de modo bem estruturado e fluído, mas também com uma genialidade e originalidade que chocou todo o pequeno público que assitia bem de perto a obra apresentada em um espaço sem coxias ou palco, possibilitando que aqueles que estavam sentados na platéia acompanhassem toda a troca de cenários e figurinos.

                                     
Kindzu - Thiago Catarino

        A peça era encenada por apenas sete atores, sendo três mulheres e quatro homens, que alternavam seus papéis no decorrer da narrativa. Desde o início, as lágrimas nos olhos de Kindzu podiam ser percebidas pela proximidade possibilitada pelo ambiente, trazendo uma carga de emoção inicial. Com o decorrer da apresentação o talento dos artistas tornou-se cada vez mais evidente, não só pela multiplicidade artística que apresentavam, mas também pelo modo de falar e sotaque que evidenciavam a origem dos personagens. Tem-se como exemplo a atriz que mudou drasticamente suas expressões, sotaque, e face ao interpretar portuguesa e indiana, velha e jovem. Bem como a atuação de Graciana Valladares, considerada por mim o momento mais marcante da apresentação, que mostrou-se capaz de incorporar uma criança em seu corpo adulto ao descrever ao protagonista a história de sua vida, além de interpretar de forma chocante e cheia de sentimento uma cena de estupro, muito bem adaptada de modo que o assediador e a vítima não se tocavam, amenizando o teor invasivo mas mantendo a conexão entre ambos, bem como a carga emocional da situação.
        Todo o cenário era composto por objetos simples que tinham suas funções alteradas a partir do uso que os atores atribuíam à eles, bem como o bom uso da iluminação, e a trilha sonora era administrada por eles próprios, que tocavam instrumentos ao redor da cena que se passava no momento. Até o barulho do mar e o rangido da porta eram produzidos com os instrumentos simples que eles manipulavam.
                                           
Farida e Romão Pinto

        A simplicidade da produção e a ausência de grandes tecnologias para a realização da obra foram de fato um ponto positivo, responsável por aproximar o público e direcionar o foco ao enredo da obra do escritor moçambicano. Lágrimas e corações apertados eram características da maior parte daqueles que presenciaram a história do menino moçambicano em período de guerra, com certeza uma das obras mais marcantes que já assisti.



                                                    Farida - Graciana Valladares

Análises

Crítica - filme: Um lugar ao sol

abril 09, 2017

Não estaria a busca pela vista acabando com a própria vista?

        As coberturas dos prédios poderiam ser apenas mais um andar, uma apartamento de um edifício qualquer, no entanto, ser morador de uma cobertura carrega um status perante toda a sociedade, como evidenciado na fala de uma família de entrevistados do filme, a escolha entre informar o complemento de sua residência varia entre o número do apartamento e a palavra "cobertura" diante da conotação desejada na ocasião e o nível de importância que deseja transmitir aos outros. 
        Dessa maneira, o filme aborda 9 moradores de coberturas do Brasil selecionados a partir de uma lista de pessoas influentes, algo que por si só já causa certo estranhamento já que remete ao  fato de dinheiro gerar influência no Brasil e no mundo, levando a um perigo devido ao divergente modo de vida dessas pessoas privilegiadas em relação ao restante da população e os conflitos de interesses e necessidades entre as diferentes classes. Frases como "as balam deixam um rastro, parecem fogos de artifício", evidenciam o distanciamento dessas pessoas acerca da realidade da grande maioria do povo brasileiro e a falta de empatia diante dos problemas que não os atinge diretamente. Comentários sobre a ação do governo brasileiro que "cria uma desculpa dessa violência pelo social" leva aquele que assiste o filme a perceber uma ideia por trás das falas apresentadas, que mostra o pobre como bandido. 
        Além de tal ideal que circunda a maior parte dos entrevistados, pode-se perceber uma ideia geral perante a aproximação de Deus gerada pela cobertura, um lugar mais próximo do céu. Outra perspectiva que circunda tais famílias é a relação direta atribuída entre arquitetura e natureza, como se a vista privilegiada do mar e o pequeno espaço destinado para um jardim colocassem sua casa no meio de um local paradisíaco. Entretanto, a qual natureza eles se referem? Àquela da troca de tiros, da família com dez filhos chegando à praia e das dificuldades que observada de sua janela de vidro blindado ou a natureza idealizada de dentro de uma bolha social propiciada pelo dinheiro? Que natureza é essa que gera a necessidade de 50 câmeras dentro de casa e um segurança particular por andar? É uma natureza ilusória que, no fundo, todos querem pertencer.

Objeto

Crítica ao Objeto de Lucas Gonçalves

abril 06, 2017

        O segundo protótipo de Lucas Gonçalves consistia em um poliedro espelhado central de onde surgiam arames conectados, os quais seriam usados para ampliar as possibilidades de criação do usuário ao utilizar as fitas e tecidos que seriam emaranhados como trepadeiras ou teias de aranha, formando cores e formatos variados a cada modificação.
        O novo trabalho buscou afastar-se do excesso de representatividade literal existente no primeiro objeto apresentado, o qual consistia em uma boca da qual se retirava objetos que o usuário não detinha conhecimento, e acabando, assim, por explorar uma interpretação mais abstrata da essência da rede. Dessa maneira, o segundo protótipo cumpriu com muito mais eficácia a proposta do projeto e mostrou-se bem mais pragmático e bonito visualmente que o anterior. No entanto, o suporte que sustentava a maquete levada pelo aluno talvez não seja o modo mais adequado de apresenta-lo, já que tende a limitar o manuseio e deixá-lo muito estático, podendo ser abordado de uma nova maneira para melhorar o projeto.

Análises

Reflexão sobre fabricação digital e parametrização

abril 05, 2017

        "Vocês já se perguntaram por que praticamente tudo o que nos rodeia é reto ou quadrado?", a frase indagada pela arquiteta Rhina Portillo, foi dita no início de sua apresentação no evento TEDx, o qual ela apresentou aspectos da técnica conhecida como parametrização. Nesse sentido, seria a parametrização uma quebra desse padrão arquitetônico referido pela palestrante? Tal técnica permite a modificação de estruturas de modo a suprir necessidades dos usuários ou, simplesmente, funcionar de forma estética. Desse modo, o arquiteto deixa de ter o controle completo de sua obra, deixando uma abertura de criação ou modificação posterior à sua finalização. Essa possibilidade de mudança, sob a minha perspectiva, representa um modo de construção que deve ser muito explorado e refinado, já que uma boa arquitetura não possui apenas a função de colocar construções no mundo, ela é pensada considerando as necessidades de sua utilização.
        Quanto a fabricação digital, deve-se considerar positivamente sua eficacia acerca do planejamento de modelos mais precisos, bem como a ampla diversificação que tal plataforma possibilita para os projetos de seus usuários, no entanto, seu uso não pode excluir outras maneiras de se fazer arquitetura. Por mais que programas venham se aperfeiçoando cada vez mais, o desenho a mão e a maquete física, ainda possuem seu valor e suas peculiaridades, bem como a individualidade gerada pelo manuseio do artista.

Eventos

Evento Cultural: Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

março 30, 2017

        O maravilhoso e compenetrante som da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais preencheu os ouvidos daqueles que compunham a platéia do Palácio das Artes. Aqueles que passavam na rua naquela terça-feira agitada mal podiam perceber o esplendor que estava ocorrendo a poucos metros de sua correria diária do horário de almoço. Eu mesma, como recém chegada a Belo Horizonte, me surpreendi com a apresentação em um horário tão inusitado em relação ao que eu estou acostumada a frequentar.

         A apresentação me surpreendeu pelo público diverso, tanto em idade quanto modo de se vestir e portar, bem como pela fluidez e descontração frente à rigidez que a música clássica tende a seguir. O maestro usou de histórias e brincadeiras para introduzir cada parte do repertório, os quais ele explicou seus significados à platéia, transmitindo não só arte mas também conhecimento.
        O evento usou de um artificio o qual achei muito interessante, chamou membros da plateia para assistir toda a apresentação do palco, bem ao lado dos músicos, gerando um pequeno momento de escape da caixa preta típica do teatro tradicional e tornando as pessoas não só meros expectadores, mas componentes do conjunto artístico. 
        Dentre esses sortudos, encontrava-se uma criança,um menino, que ganhou um lugar de destaque aos pés do maestro. Durante toda a apresentação, sentado quieto no lugar designado, o menino mostrou-se atento, no entanto, refletindo a geração a qual esta inserido, sua preocupação estava voltada para o registro do momento no celular que ele segurava firmemente em sua mão, vendo o momento único que ocorria em volta através da tela. Ao final da apresentação, o maestro pegou essa criança e o propiciou mais um momento incrível, o de reger a tão bela orquestra. A rigidez do menino frente aos movimentos ensinados para aquele momento mostrava que ele sabia o quão sério era seu papel e seriedade de seu posto. Com certeza será um momento que ele não esquecerá tão cedo, eu, particularmente, lembraria com muita nostalgia.
        Também me atentei bastante à senhora sentada ao meu lado, sozinha, se divertindo e rindo a cada fala meramente engraçada do maestro, um pouco incomodada com aqueles que chegavam atrasados ou que mudavam de lugar atrapalhando sua visão, é verdade, mas tal conjunto me fez acreditar que ela era uma verdadeira apreciadora do mundo artístico.
     
        Esse evento não foi algo tão recente mas achei que valia a pena divulgar já que ocorreu no meu primeiro dia como aluna na UFMG e foi essencial para a interação com os demais alunos que me acompanharam nessa experiência única e hoje estão se tornando grandes amigos.

Croquis

Crítica ao croqui

março 25, 2017

       O croqui em questão trata-se de uma obra do aluno Lucas Muniz, a qual me chamou atenção pelos traços do desenho. Tratando-se de um croqui, o registro do momento e do local mostra-se o mais importante no desenho, sendo a representação realista algo que pode ser deixado de lado no estilo em questão. Dessa forma, Lucas cumpriu muito bem esse aspecto com seu traçado que, apesar de não muito definido e detalhado, representa bem o local e deixa o observador identificar e compreender os elementos que o compõe. As linhas soltas mostram a falta de uso da régua, o que considero um ponto positivo em um croqui, possibilitando uma melhor expressão do artista. No entanto, tal fato levou o desenho a demonstrar algumas divergências de perspectiva, como observada nos quadros da parede e na iluminação no teto, que poderia ter sido melhor executada. No geral, gostaria de parabenizar Lucas pelo seu trabalho no desenho, que me agradou bastante.

Objeto

Rede de objetos

março 20, 2017

Meu objeto: fone de ouvido branco
Conexões: cubo magico e disco de vinil

Análises

Moda e Arquitetura: até que ponto são similares?

março 19, 2017

         Moda e Arquitetura. Expressões artísticas em um cotidiano cinzento. Segurança. Proteção. Funcionalidade. Status. Identificação cultural. Até mesmo padronização. As funções da arquitetura e da moda mostram-se convergentes em inúmeros aspectos. Dessa maneira, seriam tais áreas membros de uma mesma unidade? Seria possível considerar apenas uma delas suficientemente forte para suprir as funções da outra? Sob a minha perspectiva, tais aspectos mostram-se complementares mas não similares, muito menos excludentes. Enquanto a arquitetura é muito mais duradoura, possibilitando um conflito de períodos históricos em um mesmo espaço, a moda é passageira e as lembranças do modo de se vestir de uma geração geram um sentimento nostálgico na população. Nessa diretriz, também pode-se distinguir o julgamento da sociedade perante  ambos, já que, por mais que a arquitetura carregue aspectos de individualidade do cliente ou daquele que a criou, a reação das pessoas diante de suas peculiaridades não é tão direta e forte quanto a reação acerca de um estilo pessoal de se vestir, rotulado, julgado e atacado pela sociedade ao redor. Desse modo, arquitetura e moda podem andar juntas, mas suas diferenças existem e a substituição geraria mudanças significativas no mundo atual.

Parágrafo sobre "Animação Cultural", de Vilém Flusser.

março 19, 2017

Sob a perspectiva apresentada no texto “Animação Cultural” por Vilém Flusser, o ser humano tende a observar os objetos como produtos desenvolvidos para suprir sua necessidade e passa a ignorar a dialética existente na interação homem-objeto, ainda mais evidenciada pela dependência acerca de tais produtos inanimados. A humanidade, diante das invenções tecnológicas, desenvolveu não só facilidades e novas possibilidades para o cotidiano, mas criou um obstáculo para a independência do homem. O homem-máquina ganha força a cada dia e alastra-se por culturas de todas as partes do mundo. Culturas, por sua vez, expressas pelos objetos os quais são rodeadas, representando uma expressão de seus criadores e usuários e, assim, deixando sua marca no decorrer das gerações.  A perda de controle sobre suas criações encaminha as atuais gerações em direção a um estágio em que elas passam a se comportar em função de suas invenções, tornando-as pilares do mundo e colocando o próprio ser humano à margem do planeta que considera seu, já que, como abordado no texto, uma simples mesa apresenta a consciência sobre uma questão a qual o homem muitas vezes se recusa a aceitar.

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